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Artigo: Ressignificar, por Rodrigo Craveiro

Por Rodrigo Craveiro | Correio Braziliense

postado em 05/10/2020 7:56 / atualizado em 05/10/2020 8:27


Rodrigo Craveiro é editor do Correio Braziliense

 

Talvez o título deste artigo traduza muito do que virá no pós-pandemia. Ainda é um mistério o tal “novo normal” que cientistas atestam como a realidade que se avizinha. Penso, no entanto, que temos uma oportunidade única de aprender um tanto de coisas. Qualquer pessoa sabe que a dor e o sofrimento contribuem para o amadurecimento do ser humano. As lágrimas nos fortalecem, assentam nossa alma com o amálgama do aprendizado e amolecem o concreto que às vezes cobre o nosso coração. Temos a chance de sermos menos rústicos e mais maleáveis. Talvez o segredo esteja no ressignificar.

Sim… Ressignificar um abraço. Do qual fomos proibidos nos últimos seis meses. Sentir calor humano, afeto, carinho, amor. Ressignificar a amizade. Estreitar os laços que nos unem, nos preocupar mais com o outro, praticar o altruísmo, sair do casulo que impomos a nós mesmos na corrida por status, poder e dinheiro. Ressignificar o tempo. Compreender que cada minuto é precioso e que devemos aproveitar cada instante com sabedoria. Ressignificar a saudade. Principalmente por aqueles que nos deixaram, que viraram triste estatística e se foram, sem nem sequer terem direito a uma despedida digna.

Ressignificar a solidariedade. Isso vale, inclusive, em relação ao desconhecido. Saber que todos nós somos seres humanos. Compartilhamos aflições, angústias, limitações, sonhos e desejos. Muitas vezes, precisamos e merecemos que muitos nos estendam a mão. Ressignificar a vida. Constatar que essa jornada grandiosa inclui caminhada até o topo, mas, também, quedas ladeira abaixo. Perceber a nossa finitude e o quanto somos pequenos, apesar de muitos de nós nos vermos do modo contrário. Quando a pandemia acabar ou a vacina se tornar realidade para toda a população, provavelmente teremos mudado muitas de nossas prioridades e muitos de nossos valores. Talvez seja uma chance de sermos mais humanos. De nos ressignificar.

Artigo originalmente publicado no Opinião do Correio Braziliense. Acesse aqui.

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